<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367</id><updated>2012-02-16T12:45:17.906-08:00</updated><title type='text'>Qualquer Nota</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-919380338225487438</id><published>2011-07-31T10:03:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T10:16:33.716-07:00</updated><title type='text'>Sutra do Girassol ▬ Allen Ginsberg</title><content type='html'>Caminhei nas margens do abandonado cais de lata onde outrora&lt;br /&gt;descarregavam banana e fui sentar na sombra enorme de uma locomotiva lá perto&lt;br /&gt;para olhar e chorar o sol morrendo em ladeiras sobre as casas todas iguais.&lt;br /&gt;Jack amigo Kerouac sentou-se ao lado no ferro de um mastro roto partido&lt;br /&gt;e a gente caiu na maior fossa do mundo, os dois ilhados, dois contidos&lt;br /&gt;na rede das raízes de aço,&lt;br /&gt;e eu e Jack pensando os mesmos pensamentos da alma.&lt;br /&gt;No rio a correnteza de óleo refletia o céu rubro, o sol caía&lt;br /&gt;pelas alturas finais de San Francisco, sem que houvesse&lt;br /&gt;peixe nessas águas, sem que houvesse um ermitão nas montanhas, só a gente&lt;br /&gt;com olhos de ressaca e remela, feito vagabundos, cheios de astúcia e cansaço.&lt;br /&gt;Olha só um girassol, Jack então disse, e havia o vulto inerte e cinzento&lt;br /&gt;seco, do tamanho de um homem, recostado num monte milenar de serragem.&lt;br /&gt;- Eu pulei de alegria e era o primeiro girassol de minha vida, eram memórias&lt;br /&gt;de Blake – essas visões – o Harlem&lt;br /&gt;e os rios do inferno-leste, sanduíches indigestos trotando&lt;br /&gt;um ranger de pontes, carrinhos de bebê encalhados, esquecidos&lt;br /&gt;pneus de bojo negro careca, penicos&lt;br /&gt;e camisas-de-vênus, o poema da margem, canivetes, nada inox, só o mofo&lt;br /&gt;o lixo de tantas coisas cortantes cujo fio passava&lt;br /&gt;para o passado&lt;br /&gt;- e o cinzento girassol se equilibrando ao sol-posto,&lt;br /&gt;desmanchando-se abatido na invasão da fuligem, da fumaça, do pó&lt;br /&gt;de velhas locomotivas no olho -&lt;br /&gt;corola e também coroa com as pontas amassadas virando, com sementes&lt;br /&gt;despencando do rosto, rompendo em breves dentes um dia&lt;br /&gt;claro, raios de sol grudando em seu cabelo riscado&lt;br /&gt;como uma exangue teia de aranha de arame;&lt;br /&gt;caule com braços-folhas jogados, os gestos da raiz de serragem,&lt;br /&gt;pedaços de reboco minando nos galinhos queimados&lt;br /&gt;e uma mosca estagnada no ouvido,&lt;br /&gt;você de fato era uma incrível coisa imprestável, ó meu girassol minha&lt;br /&gt;alma, e como eu te amei então!&lt;br /&gt;sujeira não era parte do homem, era a parte da morte e das locomotivas&lt;br /&gt;humanas,&lt;br /&gt;simples roupa empoeirada, o simples véu da pele férrea, a cara&lt;br /&gt;da fumaça, as pálpebras da escura miséria, a mão&lt;br /&gt;ou falo ou tumor mortiço do imundo motor moderno industrificial disso&lt;br /&gt;tudo, o bafo da civilização poluindo&lt;br /&gt;tua coroa muito louca de ouro -&lt;br /&gt;esses turvos pensamentos de morte, a grande falta&lt;br /&gt;de amor em fins e olhos tapados, raízes abafadas em areia&lt;br /&gt;e serragem, os dólares raspantes elásticos, o couro das máquinas, as&lt;br /&gt;tripas enroscadas de um carente carro que tosse, as solitárias&lt;br /&gt;latas baratas com línguas rotas de fora, e o que mais seja, a cinza&lt;br /&gt;que escorre pela boca na ereção de um charuto, a boceta&lt;br /&gt;de um carrinho de mão, ou os seios acesos de viaturas lácteas, o rabo gasto&lt;br /&gt;que as cadeiras expelem, o esfíncter dos dínamos – tudo&lt;br /&gt;isso embolado nas raízes-múmias -&lt;br /&gt;e você aí de pé na minha&lt;br /&gt;na tarde da minha frente, a sua glória em sua forma!&lt;br /&gt;beleza perfeita, um girassol! uma tranqüila e girassol existência&lt;br /&gt;excelente e perfeita! um olho doce natural para a melancolia da lua&lt;br /&gt;nova, desperto vivo excitado&lt;br /&gt;sacando no crepúsculo sombra a brisa mensual de ouro aurora!&lt;br /&gt;enquanto você lançava blasfêmias&lt;br /&gt;para o céu da via férrea e sua própria floralma,&lt;br /&gt;quantas moscas zumbiram na sua extrema imundície&lt;br /&gt;sem ligar para nada?&lt;br /&gt;Quando, flormortapobre, você esqueceu que é uma flor?&lt;br /&gt;quando olhou sua pele e decidiu que era a velha&lt;br /&gt;suja locomotiva impotente? o fantasma de uma&lt;br /&gt;locomotiva? o espectro e sombra de uma já poderosa&lt;br /&gt;locomotiva americana maluca?&lt;br /&gt;não, girassol, você não foi locomotiva nunca, você foi sempre um girassol!&lt;br /&gt;você, locomotiva, você é o motivo louco de sempre, a locomotiva!&lt;br /&gt;pensando isso peguei o grosso girassol esqueleto e o finquei a meu lado&lt;br /&gt;como um cetro&lt;br /&gt;fiz o meu sermão à minha alma, e também à de Jack, e tambérn à de todos&lt;br /&gt;que ainda queiram ouvir:&lt;br /&gt;Não somos a sujeira da pele, não somos nossa locomotiva medonha triste&lt;br /&gt;poeirenta com ausência de imagem, nós somos todos uns lindos girassóis&lt;br /&gt;por dentro, somos sagrados por nossas próprias sementes e&lt;br /&gt;peludos pelados dourados corpos de ação virando girassóis ao crepúsculo&lt;br /&gt;loucos girassóis formais e negros que esses olhos espiam&lt;br /&gt;na sombra da locomotiva maluca margem beira&lt;br /&gt;San ladeiras Francisco&lt;br /&gt;tarde de lata&lt;br /&gt;sol-posto sentar-se vision.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-919380338225487438?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/919380338225487438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/07/sutra-do-girassol-allen-ginsberg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/919380338225487438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/919380338225487438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/07/sutra-do-girassol-allen-ginsberg.html' title='Sutra do Girassol ▬ Allen Ginsberg'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-1978684545331140573</id><published>2011-07-26T21:20:00.000-07:00</published><updated>2011-07-26T21:25:45.122-07:00</updated><title type='text'>Memórias Póstumas de Brás Cubas (Cap.VII - O Delírio) ▬ Machado de Assis</title><content type='html'>Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais pode saltar o capítulo; vá direito à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos. Primeiramente, tomei a figura de um barbeiro chinês, bojudo, destro, escanhoando um mandarim, que me pagava o trabalho com beliscões e confeitos: caprichos de mandarim. Logo depois, senti-me transformado na Suma Teológica de S. Tomás, impressa num volume, e encadernada em marroquim, com fechos de prata e estampas; idéia esta que me deu ao corpo a mais completa imobilidade; e ainda agora me lembra que, sendo as minhas mãos os fechos do livro, e cruzando-as eu sobre o ventre, alguém as descruzava (Virgília decerto), porque a atitude lhe dava a imagem de um defunto. Ultimamente, restituído à forma humana, vi chegar um hipopótamo, que me arrebatou. Deixei-me ir, calado, não sei se por medo ou confiança; mas, dentro em pouco, a carreira de tal modo se tornou vertiginosa, que me atrevi a interrogá-lo, e com alguma arte lhe disse que a viagem me parecia sem destino. -- Engana-se, replicou o animal, nós vamos à origem dos séculos. Insinuei que deveria ser muitíssimo longe; mas o hipopótamo não me entendeu ou não me ouviu, se é que não fingiu uma dessas cousas; e, perguntando-lhe, visto que ele falava, se era descendente do cavalo de Aquiles ou da asna de Balaão, retorquiu-me com um gesto peculiar a estes dous quadrúpedes: abanou as orelhas. Pela minha parte fechei os olhos e deixei-me ir à ventura. Já agora não se me dá de confessar que sentia umas tais ou quais cócegas de curiosidade, por saber onde ficava a origem dos séculos, se era tão misteriosa como a origem do Nilo, e sobretudo se valia alguma cousa mais ou menos do que a consumação dos mesmos séculos: reflexões de cérebro enfermo. Como ia de olhos fechados, não via o caminho lembra-me só que a sensação de frio aumentava com a jornada, e que chegou uma ocasião em que me pareceu entrar na região dos gelos eternos. Com efeito, abri os olhos e vi que o meu animal galopava numa planícia branca de neve, e vários animais grandes e de neve. Tudo neve; chegava a gelar-nos um sol de neve. Tentei falar, mas apenas pude grunhir esta pergunta: --Onde estamos? --Já passamos o Éden. -- Bem; paremos na tenda de Abraão. --Mas se nós caminhamos para trás! Redargüiu motejando a minha cavalgadura. Fiquei vexado e aturdido. A jornada entrou e parecer-me enfadonha e extravagante, o frio incômodo, a condução violenta, e o resultado impalpável. E depois -- cogitações do enfermo -- que chegássemos ao fim indicado, não era possível que os séculos, irritados com lhes devassem a origem, me esmagassem entre as unhas, que deviam ser tão seculares como eles. Enquanto assim pensava, íamos devorando caminho, e a planície voava debaixo dos nossos pés, até que o animal estacou, e pude olhar mais tranqüilamente em torno de mim. Olhar somente; nada vi, além da imensa brancura da neve, que desta vez invadira o próprio céu, até ali azul. Talvez, a espaços, me parecia uma ou outra planta, enorme, brutesca, meneando ao vento as suas largas folhas. O silêncio daquela região era igual ao do sepulcro: dissera-se que a vida das cousas ficara estúpida diante do homem. Caiu do ar? Destacou-se da terra? não sei; sei que um vulto imenso, uma figura de mulher me apareceu então, fitando-me uns olhos rutilantes como o sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano, porque os contornos perdiam-se no ambiente, e o que parecia espesso era muita vez diáfano. Estupefato, não disse nada, não cheguei sequer a soltar um grito; mas, ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava: curiosidade de delírio. --Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga. Ao ouvir esta última palavra, recuei um pouco, tomado de susto. A figura soltou uma gargalhada, que produziu em torno de nós o efeito de um tufão; as plantas torceram-se e um longo gemido quebrou a mudez das cousas externas. --Não te assustes, disse ela, minha inimizade não mata; é sobretudo pela vida que se afirma. Vives; não quero outro flagelo. --Vivo? perguntei eu, enterrando as unhas nas mãos, como para certificar-me da existência. --Sim, verme, tu vives. Não receies perder andrajo que é teu orgulho; provarás ainda, por algumas horas, o pão da dor e o vinho da miséria. Vives: agora mesmo que ensandeceste, vives; e se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver. Dizendo isto, a visão estendeu o braço, segurou-me pelos cabelos e levantou-me ao ar, como se fora uma pluma. Só então pude ver-lhe de perto o rosto, que era enorme. Nada mais quieto; nenhuma contorção violenta, nenhuma expressão de ódio ou ferocidade; a feição única, geral, completa, era a da impassibilidade egoísta, a da eterna surdez, a da vontade imóvel. Raivas, se as tinha, ficavam encerradas no coração. Ao mesmo tempo, nesse rosto de expressão glacial, havia um ar de juventude, mescla de força e viço, diante do qual me sentia eu o mais débil e decrépito dos seres. Entendeste-me ? disse ela, no fim de algum tempo de mútua contemplação. --Não, respondi; nem quero entender-te; tu és absurda, tu és uma fábula. Estou sonhando, decerto, ou, se é verdade, que enlouqueci, tu não passas de uma concepção de alienado, isto é, uma cousa vã, que a razão ausente não pode reger nem palpar. Natureza tu? a Natureza que eu conheço é só mãe e não inimiga; não faz da vida um flagelo, nem, como tu, traz esse rosto indiferente, como o sepulcro. E por que Pandora? --Porque levo na minha bolsa os bens e os males, e o maior de todos, a esperança, consolação dos homens. Tremes? -- Sim; o teu olhar fascina-me. -- Creio; eu não sou somente a vida; sou também a morte, e tu estás prestes a devolver-me o que te emprestei. Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada. Quando esta palavra ecoou, como um trovão, naquele imenso vale, afigurou-se-me que era o último som que chegava a meus ouvidos; pareceu-me sentir a decomposição súbita de mim mesmo. Então, encarei-a com olhos súplices, e pedi mais alguns anos. --Pobre minuto! exclamou. Para que queres tu mais alguns instantes de vida? Para devorar e seres devorado depois? Não estás farto do espetáculo e da luta? Conheces de sobejo tudo o que eu te deparei menos torpe ou menos aflitivo: o alvor do dia. a melancolia da tarde, a quietação da noite, os aspectos da Terra, o sono, enfim, o maior benefício das minhas mãos. Que mais queres tu, sublime idiota? --Viver somente, não te peço mais nada. Quem me pôs no coração este amor da vida, senão tu? e, se eu amo a vida, por que te hás de golpear a ti mesma, matando-me? -- Porque já não preciso de ti. Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem. O minuto que vem é forte, jucundo supõe trazer em si a eternidade, e traz a morte, e perece como o outro, mas o tempo subsiste. Egoísmo, dizes tu? Sim, egoísmo, não tenho outra lei. Egoísmo, conservação. A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor: eis o estatuto universal. Sobe e olha. Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha. Inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe através de um nevoeiro, uma cousa única. Imagina tu leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das cousas. Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do homem e da Terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim,--flagelos e delícias, desde essa cousa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia a indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das cousas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura, -- nada menos que a quimera da felicidade, -- ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem e cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão. Ao contemplar tanta calamidade, não pude reter um grito de angústia, que Natureza ou Pandora escutou sem protestar nem rir; e não sei por que lei de transtorno cerebral, fui eu que me pus a rir, -- de um riso descompassado e idiota. --Tens razão, disse eu, a cousa é divertida e vale a pena, -- talvez monótona mas vale a pena. Quando Jó amaldiçoava o dia em que fora concebido, é porque lhe davam ganas de ver cá de cima O espetáculo. Vamos lá, Pandora, abre o ventre, e digere-me; a cousa é divertida? mas digere-me. A resposta foi compelir-me fortemente a olhar para baixo, e a ver os séculos que continuavam a passar, velozes e turbulentos, as gerações que se superpunham às gerações, umas tristes, como os Hebreus do cativeiro, outras alegres, como os devassos de Cômodo, e todas elas pontuais na sepultura. Quis fugir, mas uma força misteriosa me retinha os pés; então disse comigo: "Bem, os séculos vão passando, chegará o meu, e passará também, até o último, que me dará a decifração da eternidade." E fixei os olhos, e continuei a ver as idades que vinham chegando e passando, já então tranqüilo e resoluto, não sei até se alegre. Talvez alegre. Cada século trazia a sua porção de sombra e de luz, de apatia e de combate, de verdade e de erro e o seu cortejo de sistemas, de idéias novas, de novas ilusões; cada um deles rebentavam as verduras de uma primavera, e amareleciam depois, para remoçar mais tarde. Ao passo que a vida tinha assim uma regularidade de calendário, fazia-se a história e a civilização, e o homem, nu e desarmado, armava-se e vestia-se, construía o tugúrio e o palácio, a rude aldeia e Tebas de cem portas, criava a ciência, que perscruta, e a arte que enleva, fazia orador, mecânico, filósofo, corria a face do globo, descia ao ventre da Terra, subia à esfera das nuvens, colaborando assim na obra misteriosa, com que entretinha a necessidade da vida e a melancolia do desamparo. Meu olhar, enfarado e distraído, viu enfim chegar o século presente, e atrás deles os futuros. Aquele vinha ágil, destro, vibrante! cheio de si, um pouco difuso, audaz, sabedor, mas ao cabo tão miserável como os primeiros, e assim passou e assim passaram os outros com a mesma rapidez e igual monotonia. Redobrei de atenção; fitei a vistas ia enfim ver o último, -- último!; mas então já a rapidez da marcha era tal, que escapava a toda a compreensão; ao pé dela o relâmpago seria um século. Talvez por isso entraram os objetos a trocarem-se; uns cresceram, outros minguaram, outros perderam-se no ambiente, um nevoeiro cobriu tudo,-- menos o hipopótamo que ali me trouxera, e que aliás começou a diminuir, a diminuir a diminuir, até ficar do tamanho de um gato. Era efetivamente um gato. Encarei-o bem; era o meu gato Sultão, que brincava à porta da alcova, com uma bola de papel...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-1978684545331140573?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/1978684545331140573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/07/memorias-postumas-de-bras-cubas-capvii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/1978684545331140573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/1978684545331140573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/07/memorias-postumas-de-bras-cubas-capvii.html' title='Memórias Póstumas de Brás Cubas (Cap.VII - O Delírio) ▬ Machado de Assis'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-7938008393325265586</id><published>2011-06-02T21:37:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T21:43:40.081-07:00</updated><title type='text'>A Metamorfose ▬ Franz Kafka</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar. Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos.&lt;br /&gt;Que me aconteceu? - pensou. Não era um sonho. O quarto, um vulgar quarto humano, apenas bastante acanhado, ali estava, como de costume, entre as quatro paredes que lhe eram familiares. Por cima da mesa, onde estava deitado, desembrulhada e em completa desordem, uma série de amostras de roupas: Samsa era caixeiro-viajante, estava pendurada a fotografia que recentemente recortara de uma revista ilustrada e colocara numa bonita moldura dourada.&lt;br /&gt;Mostrava uma senhora, de chapéu e estola de peles, rigidamente sentada, a estender ao espectador um enorme regalo de peles, onde o antebraço sumia!&lt;br /&gt;Gregor desviou então a vista para a janela e deu com o céu nublado - ouviam-se os pingos de chuva a baterem na calha da janela e isso o fez sentir-se bastante melancólico. Não seria melhor dormir um pouco e esquecer todo este delírio? - cogitou. Mas era impossível, estava habituado a dormir para o lado direito e, na presente situação, não podia virar-se. Por mais que se esforçasse por inclinar o corpo para a direita, tornava sempre a rebolar, ficando de costas. Tentou, pelo menos, cem vezes, fechando os olhos, para evitar ver as pernas a debaterem-se, e só desistiu quando começou a sentir no flanco uma ligeira dor entorpecida que nunca antes experimentara.&lt;br /&gt;Oh, meu Deus, pensou, que trabalho tão cansativo escolhi! Viajar, dia sim, dia não. É um trabalho muito mais irritante do que o trabalho do escritório propriamente dito, e ainda por cima há ainda o desconforto de andar sempre a viajar, preocupado com as ligações dos trens, com a cama e com as refeições irregulares, com conhecimentos casuais, que são sempre novos e nunca se tornam amigos íntimos. Diabos levem tudo isto! Sentiu uma leve comichão na barriga; arrastou-se lentamente sobre as costas, - mais para cima na cama, de modo a conseguir mexer mais facilmente a cabeça, identificou o local da comichão, que estava rodeado de uma série de pequenas manchas brancas cuja natureza não compreendeu no momento, e fez menção de tocar lá com uma perna, mas imediatamente a retirou, pois, ao seu contato, sentiu-se percorrido por um arrepio gelado.&lt;br /&gt;Voltou a deixar-se escorregar para a posição inicial. Isto de levantar cedo, pensou, deixa a pessoa estúpida. Um homem necessita de sono. Há outros comerciantes que vivem como mulheres de harém. Por exemplo, quando volto para o hotel, de manhã, para tomar nota das encomendas que tenho, esses se limitam a sentar-se à mesa para o pequeno almoço. Eu que tentasse sequer fazer isso com o meu patrão: era logo despedido. De qualquer maneira, era capaz de ser bom para mim - quem sabe? Se não tivesse de me agüentar, por causa dos meus pais, há muito tempo que me teria despedido; iria ter com o patrão e lhe falar exatamente o que penso dele. Havia de cair ao comprido em cima da secretária! Também é um hábito esquisito, esse de se sentar a uma secretária em plano elevado e falar para baixo para os empregados, tanto mais que eles têm de aproximar-se bastante, porque o patrão é ruim de ouvido. Bem, ainda há uma esperança; depois de ter economizado o suficiente para pagar o que os meus pais lhe devem - o que deve levar outros cinco ou seis anos -, faço-o, com certeza. Nessa altura, vou me libertar completamente. Mas, para agora, o melhor é me levantar, porque o meu trem parte às cinco.&lt;br /&gt;Olhou para o despertador, que fazia tique-taque na cômoda. Pai do Céu! - pensou. Eram seis e meia e os ponteiros moviam-se em silêncio, até passava da meia hora, era quase um quarto para as sete. O despertador não teria tocado? Da cama, via-se que estava corretamente regulado para as quatro; claro que devia ter tocado. Sim, mas seria possível dormir sossegadamente no meio daquele barulho que trespassava os ouvidos? Bem, ele não tinha dormido sossegadamente; no entanto, aparentemente, se assim era, ainda devia ter sentido mais o barulho. Mas que faria agora? O próximo trem saía às sete; para apanhá-lo tinha de correr como um doido, as amostras ainda não estavam embrulhadas e ele próprio não se sentia particularmente fresco e ativo. E, mesmo que apanhasse o trem, não conseguiria evitar uma reprimenda do chefe, visto que o porteiro da firma havia de ter esperado o trem das cinco e há muito teria comunicado a sua ausência. O porteiro era um instrumento do patrão, invertebrado e idiota. Bem, suponhamos que dizia que estava doente? Mas isso seria muito desagradável e pareceria suspeito, porque, durante cinco anos de emprego, nunca tinha estado doente. O próprio patrão certamente iria lá a casa com o médico da Previdência, repreenderia os pais pela preguiça do filho e poria de parte todas as desculpas, recorrendo ao médico da Previdência, que, evidentemente, considerava toda a humanidade um bando de falsos doentes perfeitamente saudáveis. E enganaria assim tanto desta vez? Efetivamente, Gregor sentia-se bastante bem, à parte uma sonolência que era perfeitamente supérflua depois de um tão longo sono, e sentia-se mesmo esfomeado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-7938008393325265586?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/7938008393325265586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/metamorfose-franz-kafka.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7938008393325265586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7938008393325265586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/metamorfose-franz-kafka.html' title='A Metamorfose ▬ Franz Kafka'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-4144108119057080650</id><published>2011-06-02T13:26:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T13:31:22.568-07:00</updated><title type='text'>Hino À Beleza ▬ Lautréamont</title><content type='html'>Vens do céu profundo ou sais do precipício,&lt;br /&gt;Beleza? Teu olhar, divino mas daninho,&lt;br /&gt;Confusamente verte o bem e o malefício,&lt;br /&gt;E pode-se por isso comparar-te ao vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em teus olhos refletes toda a luz diuturna;&lt;br /&gt;Lanças perfumes como a noite tempestuosa;&lt;br /&gt;Teus beijos são um filtro e tua boca uma urna&lt;br /&gt;Que torna o herói covarde e a criança corajosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provéns do negro abismo ou da esfera infinita?&lt;br /&gt;Como um cão te acompanha a fortuna encantada;&lt;br /&gt;Semeias ao acaso a alegria e a desdita&lt;br /&gt;E altiva segues sem responder nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcando mortos vais, Beleza, a escarnecê-los;&lt;br /&gt;Em teu escrínio o Horror é jóia que cintila,&lt;br /&gt;E o Crime, esse berloque que te aguça os zelos,&lt;br /&gt;Sobre teu ventre em amorosa dança oscila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mariposa voa ao teu encontro, ó vela,&lt;br /&gt;Freme, inflama-se e diz: “Ó clarão abençoado!”&lt;br /&gt;O arfante namorado aos pés de sua bela&lt;br /&gt;Recorda um moribundo aos pés do túmulo abraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que venhas lá do céu ou do inferno, que importa,&lt;br /&gt;Beleza! Ó monstro ingênuo gigantesco e horrendo!&lt;br /&gt;Se teu olhar, teu riso, teus pés me abrem a porta&lt;br /&gt;De um infinito que amo e que jamais desvendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,&lt;br /&gt;Que importa,se és tu quem fazes - fada de olhos suaves,&lt;br /&gt;Ó rainha de luz, perfume e ritmo cheia! -&lt;br /&gt;Mais humano o universo e as horas menos graves?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-4144108119057080650?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/4144108119057080650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/hino-beleza-lautreamont.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/4144108119057080650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/4144108119057080650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/hino-beleza-lautreamont.html' title='Hino À Beleza ▬ Lautréamont'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-3925254909074733833</id><published>2011-06-02T13:13:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T13:16:11.504-07:00</updated><title type='text'>A Virgem Espanca O Menino Jesus Vigiada Por Três Testemunhas ▬ Max Ernst</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-riEUETY8Muw/TefvErMK1rI/AAAAAAAAAmA/5_ZEBps-cYM/s1600/1216122693349_f.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613718324132894386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-riEUETY8Muw/TefvErMK1rI/AAAAAAAAAmA/5_ZEBps-cYM/s320/1216122693349_f.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-3925254909074733833?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/3925254909074733833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/virgem-espanca-o-menino-jesus-vigiada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' 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sonhou,&lt;br /&gt;Alguém que veio ao mundo pra me ver&lt;br /&gt;E que nunca na vida me encontrou!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-3442854987746901140?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/3442854987746901140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/eu-florbela-espanca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/3442854987746901140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/3442854987746901140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/06/eu-florbela-espanca.html' title='Eu ▬ Florbela Espanca'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-5327029532378019993</id><published>2011-03-04T13:52:00.000-08:00</published><updated>2011-03-04T13:54:41.267-08:00</updated><title type='text'>Feminina ▬ Mario de Sá Carneiro</title><content type='html'>Eu queria ser mulher pra me poder estender&lt;br /&gt;Ao lado dos meus amigos, nas banquettes dos cafés.&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher para poder estender&lt;br /&gt;Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida&lt;br /&gt;E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro&lt;br /&gt;A falar de modas e a fazer «potins» – muito entretida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios&lt;br /&gt;E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios,&lt;br /&gt;Que num homem, francamente, não se podem desculpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher para ter muitos amantes&lt;br /&gt;E enganá-los a todos – mesmo ao predilecto -&lt;br /&gt;Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,&lt;br /&gt;Com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,&lt;br /&gt;Eu queria ser mulher pra me poder recusar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-5327029532378019993?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/5327029532378019993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/03/feminina-mario-de-sa-carneiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/5327029532378019993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/5327029532378019993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/03/feminina-mario-de-sa-carneiro.html' title='Feminina ▬ Mario de Sá Carneiro'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-7374586028958567822</id><published>2011-02-24T05:53:00.000-08:00</published><updated>2011-06-02T12:55:51.036-07:00</updated><title type='text'>Namorados ▬ Manuel Bandeira</title><content type='html'>O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:&lt;br /&gt;— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.&lt;br /&gt;A moça olhou de lado e esperou.&lt;br /&gt;— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?&lt;br /&gt;A moça se lembrava:&lt;br /&gt;— A gente fica olhando...&lt;br /&gt;A meninice brincou de novo nos olhos dela.&lt;br /&gt;O rapaz prosseguiu com muita doçura:&lt;br /&gt;— Antônia, você parece uma lagarta listada.&lt;br /&gt;A moça arregalou os olhos, fez exclamações.&lt;br /&gt;O rapaz concluiu:&lt;br /&gt;— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-7374586028958567822?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/7374586028958567822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/namorados-manuel-bandeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7374586028958567822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7374586028958567822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/namorados-manuel-bandeira.html' title='Namorados ▬ Manuel Bandeira'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-8471897525848266464</id><published>2011-02-24T05:44:00.000-08:00</published><updated>2011-02-24T05:46:14.011-08:00</updated><title type='text'>Idealismo ▬ Augusto dos Anjos</title><content type='html'>Falas de amor, e eu ouço tudo e calo&lt;br /&gt;O amor na Humanidade é uma mentira.&lt;br /&gt;E é por isto que na minha lira&lt;br /&gt;De amores fúteis poucas vezes falo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!&lt;br /&gt;Quando, se o amor que a Humanidade inspira&lt;br /&gt;É o amor do sibarita e da hetaíra,&lt;br /&gt;De Messalina e de Sardanapalo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é mister que, para o amor sagrado,&lt;br /&gt;O mundo fique imaterializado&lt;br /&gt;— Alavanca desviada do seu fulcro —&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E haja só amizade verdadeira&lt;br /&gt;Duma caveira para outra caveira,&lt;br /&gt;Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-8471897525848266464?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/8471897525848266464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/idealismo-augusto-dos-anjos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8471897525848266464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8471897525848266464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/idealismo-augusto-dos-anjos.html' title='Idealismo ▬ Augusto dos Anjos'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-6318309446517469428</id><published>2011-02-18T16:30:00.001-08:00</published><updated>2011-02-18T16:31:27.901-08:00</updated><title type='text'>Triste Regresso ▬ Augusto dos Anjos</title><content type='html'>Uma vez um poeta, um tresloucado,&lt;br /&gt;Apaixonou-se d'uma virgem bela;&lt;br /&gt;Vivia alegre o vate apaixonado,&lt;br /&gt;Louco vivia, enamorado dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Pátria chamou-o. Era soldado.&lt;br /&gt;E tinha que deixar pra sempre aquela&lt;br /&gt;Meiga visão, olímpica e singela?!&lt;br /&gt;E partiu, coração amargurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos canhões ao ribombo, e das metralhas,&lt;br /&gt;Altivo lutador, venceu batalhas,&lt;br /&gt;Juncou-lhe a fronte aurifulgente estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltou, mas a fronte aureolada,&lt;br /&gt;Ao chegar, pendeu triste e desmaiada,&lt;br /&gt;No sepulcro da loura virgem bela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-6318309446517469428?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/6318309446517469428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/triste-regresso-augusto-dos-anjos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6318309446517469428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6318309446517469428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/triste-regresso-augusto-dos-anjos.html' title='Triste Regresso ▬ Augusto dos Anjos'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-4168848188025647663</id><published>2011-02-18T14:19:00.000-08:00</published><updated>2011-02-18T14:45:50.119-08:00</updated><title type='text'>O Gato Preto ▬ Edgar Allan Poe</title><content type='html'>Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram.&lt;br /&gt;No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror - mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum - uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.&lt;br /&gt;Desde a infância, tornaram-se patentes a docilidade e o sentido humano de meu caráter. A ternura de meu coração era tão evidente, que me tomava alvo dos gracejos de meus companheiros. Gostava, especialmente, de animais, e meus pais me permitiam possuir grande variedade deles. Passava com eles quase todo o meu tempo, e jamais me sentia tão feliz como quando lhes dava de comer ou os acariciava. Com os anos, aumentou esta peculiaridade de meu caráter e, quando me tomei adulto, fiz dela uma das minhas principais fontes de prazer. Aos que já sentiram afeto por um cão fiel e sagaz, não preciso dar-me ao trabalho de explicar a natureza ou a intensidade da satisfação que se pode ter com isso. Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões freqüentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem.&lt;br /&gt;Casei cedo, e tive a sorte de encontrar em minha mulher disposição semelhante à minha. Notando o meu amor pelos animais domésticos, não perdia a oportunidade de arranjar as espécies mais agradáveis de bichos. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um cão, coelhos, um macaquinho e um gato.&lt;br /&gt;Este último era um animal extraordinariamente grande e belo, todo negro e de espantosa sagacidade. Ao referir-se à sua inteligência, minha mulher, que, no íntimo de seu coração, era um tanto supersticiosa, fazia freqüentes alusões à antiga crença popular de que todos os gatos pretos são feiticeiras disfarçadas. Não que ela se referisse seriamente a isso: menciono o fato apenas porque aconteceu lembrar-me disso neste momento.Pluto - assim se chamava o gato - era o meu preferido, com o qual eu mais me distraía. Só eu o alimentava, e ele me seguia sempre pela casa. Tinha dificuldade, mesmo, em impedir que me acompanhasse pela rua.&lt;br /&gt;Nossa amizade durou, desse modo, vários anos, durante os quais não só o meu caráter como o meu temperamento - enrubesço ao confessá-lo - sofreram, devido ao demônio da intemperança, uma modificação radical para pior. Tomava-me, dia a dia, mais taciturno, mais irritadiço, mais indiferente aos sentimentos dos outros. Sofria ao empregar linguagem desabrida ao dirigir-me à minha mulher. No fim, cheguei mesmo a tratá-la com violência. Meus animais, certamente, sentiam a mudança operada em meu caráter. Não apenas não lhes dava atenção alguma, como, ainda, os maltratava. Quanto a Pluto, porém, ainda despertava em mim consideração suficiente que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não sentia escrúpulo algum em maltratar os coelhos, o macaco e mesmo o cão, quando, por acaso ou afeto, cruzavam em meu caminho. Meu mal, porém, ia tomando conta de mim - que outro mal pode se comparar ao álcool? - e, no fim, até Pluto, que começava agora a envelhecer e, por conseguinte, se tomara um tanto rabugento, até mesmo Pluto começou a sentir os efeitos de meu mau humor.&lt;br /&gt;Certa noite, ao voltar a casa, muito embriagado, de uma de minhas andanças pela cidade, tive a impressão de que o gato evitava a minha presença. Apanhei-o, e ele, assustado ante a minha violência, me feriu a mão, levemente, com os dentes. Uma fúria demoníaca apoderou-se, instantaneamente, de mim. Já não sabia mais o que estava fazendo. Dir-se-ia que, súbito, minha alma abandonara o corpo, e uma perversidade mais do que diabólica, causada pela genebra, fez vibrar todas as fibras de meu ser.&lt;br /&gt;Tirei do bolso um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, friamente, arranquei de sua órbita um dos olhos! Enrubesço, estremeço, abraso-me de vergonha, ao referir-me, aqui, a essa abominável atrocidade.&lt;br /&gt;Quando, com a chegada da manhã, voltei à razão - dissipados já os vapores de minha orgia noturna - , experimentei, pelo crime que praticara, um sentimento que era um misto de horror e remorso; mas não passou de um sentimento superficial e equívoco, pois minha alma permaneceu impassível. Mergulhei novamente em excessos, afogando logo no vinho a lembrança do que acontecera.&lt;br /&gt;Entrementes, o gato se restabeleceu, lentamente. A órbita do olho perdido apresentava, é certo, um aspecto horrendo, mas não parecia mais sofrer qualquer dor. Passeava pela casa como de costume, mas, como bem se poderia esperar, fugia, tomado de extremo terror, à minha aproximação. Restava-me ainda o bastante de meu antigo coração para que, a princípio, sofresse com aquela evidente aversão por parte de um animal que, antes, me amara tanto. Mas esse sentimento logo se transformou em irritação. E, então, como para perder-me final e irremissivelmente, surgiu o espírito da perversidade. Desse espírito, a filosofia não toma conhecimento. Não obstante, tão certo como existe minha alma, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano - uma das faculdades, ou sentimentos primários, que dirigem o caráter do homem. Quem não se viu, centenas de vezes, a cometer ações vis ou estúpidas, pela única razão de que sabia que não devia cometê-las? Acaso não sentimos uma inclinação constante mesmo quando estamos no melhor do nosso juízo, para violar aquilo que é lei, simplesmente porque a compreendemos como tal? Esse espírito de perversidade, digo eu, foi a causa de minha queda final. O vivo e insondável desejo da alma de atormentar-se a si mesma, de violentar sua própria natureza, de fazer o mal pelo próprio mal, foi o que me levou a continuar e, afinal, a levar a cabo o suplício que infligira ao inofensivo animal. Uma manhã, a sangue frio, meti-lhe um nó corredio em torno do pescoço e enforquei-o no galho de uma árvore. Fi-lo com os olhos cheios de lágrimas, com o coração transbordante do mais amargo remorso. Enforquei-o porque sabia que ele me amara, e porque reconhecia que não me dera motivo algum para que me voltasse contra ele. Enforquei-o porque sabia que estava cometendo um pecado - um pecado mortal que comprometia a minha alma imortal, afastando-a, se é que isso era possível, da misericórdia infinita de um Deus infinitamente misericordioso e infinitamente terrível.&lt;br /&gt;Na noite do dia em que foi cometida essa ação tão cruel, fui despertado pelo grito de "fogo!". As cortinas de minha cama estavam em chamas. Toda a casa ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu conseguimos escapar do incêndio. A destruição foi completa. Todos os meus bens terrenos foram tragados pelo fogo, e, desde então, me entreguei ao desespero.&lt;br /&gt;Não pretendo estabelecer relação alguma entre causa e efeito - entre o desastre e a atrocidade por mim cometida. Mas estou descrevendo uma seqüência de fatos, e não desejo omitir nenhum dos elos dessa cadeia de acontecimentos. No dia seguinte ao do incêndio, visitei as ruínas. As paredes, com exceção de uma apenas, tinham desmoronado. Essa única exceção era constituída por um fino tabique interior, situado no meio da casa, junto ao qual se achava a cabeceira de minha cama. O reboco havia, aí, em grande parte, resistido à ação do fogo - coisa que atribuí ao fato de ter sido ele construído recentemente. Densa multidão se reunira em torno dessa parede, e muitas pessoas examinavam, com particular atenção e minuciosidade, uma parte dela, As palavras "estranho!", "singular!", bem como outras expressões semelhantes, despertaram-me a curiosidade. Aproximei-me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem era de uma exatidão verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em tomo do pescoço do animal.&lt;br /&gt;Logo que vi tal aparição - pois não poderia considerar aquilo como sendo outra coisa - , o assombro e terror que se me apoderaram foram extremos. Mas, finalmente, a reflexão veio em meu auxílio. O gato, lembrei-me, fora enforcado num jardim existente junto à casa. Aos gritos de alarma, o jardim fora imediatamente invadido pela multidão. Alguém deve ter retirado o animal da árvore, lançando-o, através de uma janela aberta, para dentro do meu quarto. Isso foi feito, provavelmente, com a intenção de despertar-me. A queda das outras paredes havia comprimido a vítima de minha crueldade no gesso recentemente colocado sobre a parede que permanecera de pé. A cal do muro, com as chamas e o amoníaco desprendido da carcaça, produzira a imagem tal qual eu agora a via.&lt;br /&gt;Embora isso satisfizesse prontamente minha razão, não conseguia fazer o mesmo, de maneira completa, com minha consciência, pois o surpreendente fato que acabo de descrever não deixou de causar-me, apesar de tudo, profunda impressão. Durante meses, não pude livrar-me do fantasma do gato e, nesse espaço de tempo, nasceu em meu espírito uma espécie de sentimento que parecia remorso, embora não o fosse. Cheguei, mesmo, a lamentar a perda do animal e a procurar, nos sórdidos lugares que então freqüentava, outro bichano da mesma espécie e de aparência semelhante que pudesse substituí-lo.Uma noite, em que me achava sentado, meio aturdido, num antro mais do que infame, tive a atenção despertada, subitamente, por um objeto negro que jazia no alto de um dos enormes barris, de genebra ou rum, que constituíam quase que o único mobiliário do recinto. Fazia já alguns minutos que olhava fixamente o alto do barril, e o que então me surpreendeu foi não ter visto antes o que havia sobre o mesmo. Aproximei-me e toquei-o com a mão. Era um gato preto, enorme - tão grande quanto Pluto - e que, sob todos os aspectos, salvo um, se assemelhava a ele. Pluto não tinha um único pêlo branco em todo o corpo - e o bichano que ali estava possuía uma mancha larga e branca, embora de forma indefinida, a cobrir-lhe quase toda a região do peito.&lt;br /&gt;Ao acariciar-lhe o dorso, ergueu-se imediatamente, ronronando com força e esfregando-se em minha mão, como se a minha atenção lhe causasse prazer. Era, pois, o animal que eu procurava. Apressei-me em propor ao dono a sua aquisição, mas este não manifestou interesse algum pelo felino. Não o conhecia; jamais o vira antes.&lt;br /&gt;Continuei a acariciá-lo e, quando me dispunha a voltar para casa, o animal demonstrou disposição de acompanhar-me. Permiti que o fizesse - detendo-me, de vez em quando, no caminho, para acariciá-lo. Ao chegar, sentiu-se imediatamente à vontade, como se pertencesse a casa, tomando-se, logo, um dos bichanos preferidos de minha mulher.&lt;br /&gt;De minha parte, passei a sentir logo aversão por ele. Acontecia, pois, justamente o contrário do que eu esperava. Mas a verdade é que - não sei como nem por quê - seu evidente amor por mim me desgostava e aborrecia. Lentamente, tais sentimentos de desgosto e fastio se converteram no mais amargo ódio. Evitava o animal. Uma sensação de vergonha, bem como a lembrança da crueldade que praticara, impediam-me de maltratá-lo fisicamente. Durante algumas semanas, não lhe bati nem pratiquei contra ele qualquer violência; mas, aos poucos - muito gradativamente - , passei a sentir por ele inenarrável horror, fugindo, em silêncio, de sua odiosa presença, como se fugisse de uma peste.&lt;br /&gt;Sem dúvida, o que aumentou o meu horror pelo animal foi a descoberta, na manhã do dia seguinte ao que o levei para casa, que, como Pluto, também havia sido privado de um dos olhos. Tal circunstância, porém, apenas contribuiu para que minha mulher sentisse por ele maior carinho, pois, como já disse, era dotada, em alto grau, dessa ternura de sentimentos que constituíra, em outros tempos, um de meus traços principais, bem como fonte de muitos de meus prazeres mais simples e puros.&lt;br /&gt;No entanto, a preferência que o animal demonstrava pela minha pessoa parecia aumentar em razão direta da aversão que sentia por ele. Seguia-me os passos com uma pertinácia que dificilmente poderia fazer com que o leitor compreendesse. Sempre que me sentava, enrodilhava-se embaixo de minha cadeira, ou me saltava ao colo, cobrindo-me com suas odiosas carícias. Se me levantava para andar, metia-se-me entre as pemas e quase me derrubava, ou então, cravando suas longas e afiadas garras em minha roupa, subia por ela até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse ímpetos de matá-lo de um golpe, abstinha-me de fazê-lo devido, em parte, à lembrança de meu crime anterior, mas, sobretudo - apresso-me a confessá-lo - , pelo pavor extremo que o animal me despertava.&lt;br /&gt;Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia defini-lo de outra maneira. Quase me envergonha confessar - sim, mesmo nesta cela de criminoso - , quase me envergonha confessar que o terror e o pânico que o animal me inspirava eram aumentados por uma das mais puras fantasias que se possa imaginar. Minha mulher, mais de uma vez, me chamara a atenção para o aspecto da mancha branca a que já me referi, e que constituía a única diferença visível entre aquele estranho animal e o outro, que eu enforcara. O leitor, decerto, se lembrará de que aquele sinal, embora grande, tinha, a princípio, uma forma bastante indefinida. Mas, lentamente, de maneira quase imperceptível - que a minha imaginação, durante muito tempo, lutou por rejeitar como fantasiosa -, adquirira, por fim, uma nitidez rigorosa de contornos. Era, agora, a imagem de um objeto cuja menção me faz tremer... E, sobretudo por isso, eu o encarava como a um monstro de horror e repugnância, do qual eu, se tivesse coragem, me teria livrado. Era agora, confesso, a imagem de uma coisa odiosa, abominável: a imagem da forca! Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte!&lt;br /&gt;Na verdade, naquele momento eu era um miserável - um ser que ia além da própria miséria da humanidade. Era uma besta-fera, cujo irmão fora por mim desdenhosamente destruído... uma besta-fera que se engendrara em mim, homem feito à imagem do Deus Altíssimo. Oh, grande e insuportável infortúnio! Ai de mim! Nem de dia, nem de noite, conheceria jamais a bênção do descanso! Durante o dia, o animal não me deixava a sós um único momento; e, à noite, despertava de hora em hora, tomado do indescritível terror de sentir o hálito quente da coisa sobre o meu rosto, e o seu enorme peso - encarnação de um pesadelo que não podia afastar de mim - pousado eternamente sobre o meu coração!&lt;br /&gt;Sob a pressão de tais tormentos, sucumbiu o pouco que restava em mim de bom. Pensamentos maus converteram-se em meus únicos companheiros - os mais sombrios e os mais perversos dos pensamentos. Minha rabugice habitual se transformou em ódio por todas as coisas e por toda a humanidade - e enquanto eu, agora, me entregava cegamente a súbitos, freqüentes e irreprimíveis acessos de cólera, minha mulher - pobre dela! - não se queixava nunca convertendo-se na mais paciente e sofredora das vítimas.&lt;br /&gt;Um dia, acompanhou-me, para ajudar-me numa das tarefas domésticas, até o porão do velho edifício em que nossa pobreza nos obrigava a morar, O gato seguiu-nos e, quase fazendo-me rolar escada abaixo, me exasperou a ponto de perder o juízo. Apanhando uma machadinha e esquecendo o terror pueril que até então contivera minha mão, dirigi ao animal um golpe que teria sido mortal, se atingisse o alvo. Mas minha mulher segurou-me o braço, detendo o golpe. Tomado, então, de fúria demoníaca, livrei o braço do obstáculo que o detinha e cravei-lhe a machadinha no cérebro. Minha mulher caiu morta instantaneamente, sem lançar um gemido.&lt;br /&gt;Realizado o terrível assassínio, procurei, movido por súbita resolução, esconder o corpo. Sabia que não poderia retirá-lo da casa, nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser visto pelos vizinhos.&lt;br /&gt;Ocorreram-me vários planos. Pensei, por um instante, em cortar o corpo em pequenos pedaços e destruí-los por meio do fogo. Resolvi, depois, cavar uma fossa no chão da adega. Em seguida, pensei em atirá-lo ao poço do quintal. Mudei de idéia e decidi metê-lo num caixote, como se fosse uma mercadoria, na forma habitual, fazendo com que um carregador o retirasse da casa. Finalmente, tive uma idéia que me pareceu muito mais prática: resolvi emparedá-lo na adega, como faziam os monges da Idade Média com as suas vítimas.&lt;br /&gt;Aquela adega se prestava muito bem para tal propósito. As paredes não haviam sido construídas com muito cuidado e, pouco antes, haviam sido cobertas, em toda a sua extensão, com um reboco que a umidade impedira de endurecer. Ademais, havia uma saliência numa das paredes, produzida por alguma chaminé ou lareira, que fora tapada para que se assemelhasse ao resto da adega. Não duvidei de que poderia facilmente retirar os tijolos naquele lugar, introduzir o corpo e recolocá-los do mesmo modo, sem que nenhum olhar pudesse descobrir nada que despertasse suspeita.&lt;br /&gt;E não me enganei em meus cálculos. Por meio de uma alavanca, desloquei facilmente os tijolos e tendo depositado o corpo, com cuidado, de encontro à parede interior. Segurei-o nessa posição, até poder recolocar, sem grande esforço, os tijolos em seu lugar, tal como estavam anteriormente. Arranjei cimento, cal e areia e, com toda a precaução possível, preparei uma argamassa que não se podia distinguir da anterior, cobrindo com ela, escrupulosamente, a nova parede. Ao terminar, senti-me satisfeito, pois tudo correra bem. A parede não apresentava o menor sinal de ter sido rebocada. Limpei o chão com o maior cuidado e, lançando o olhar em tomo, disse, de mim para comigo: "Pelo menos aqui, o meu trabalho não foi em vão".&lt;br /&gt;O passo seguinte foi procurar o animal que havia sido a causa de tão grande desgraça, pois resolvera, finalmente, matá-lo. Se, naquele momento, tivesse podido encontrá-lo, não haveria dúvida quanto à sua sorte: mas parece que o esperto animal se alarmara ante a violência de minha cólera, e procurava não aparecer diante de mim enquanto me encontrasse naquele estado de espírito. Impossível descrever ou imaginar o profundo e abençoado alívio que me causava a ausência de tão detestável felino. Não apareceu também durante a noite - e, assim, pela primeira vez, desde sua entrada em casa, consegui dormir tranqüila e profundamente. Sim, dormi mesmo com o peso daquele assassínio sobre a minha alma.&lt;br /&gt;Transcorreram o segundo e o terceiro dia - e o meu algoz não apareceu. Pude respirar, novamente, como homem livre. O monstro, aterrorizado fugira para sempre de casa. Não tomaria a vê-lo! Minha felicidade era infinita! A culpa de minha tenebrosa ação pouco me inquietava. Foram feitas algumas investigações, mas respondi prontamente a todas as perguntas. Procedeu-se, também, a uma vistoria em minha casa, mas, naturalmente, nada podia ser descoberto. Eu considerava já como coisa certa a minha felicidade futura.&lt;br /&gt;No quarto dia após o assassinato, uma caravana policial chegou, inesperadamente, a casa, e realizou, de novo, rigorosa investigação. Seguro, no entanto, de que ninguém descobriria jamais o lugar em que eu ocultara o cadáver, não experimentei a menor perturbação. Os policiais pediram-me que os acompanhasse em sua busca. Não deixaram de esquadrinhar um canto sequer da casa. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram novamente ao porão. Não me alterei o mínimo que fosse. Meu coração batia calmamente, como o de um inocente. Andei por todo o porão, de ponta a ponta. Com os braços cruzados sobre o peito, caminhava, calmamente, de um lado para outro. A polícia estava inteiramente satisfeita e preparava-se para sair. O júbilo que me inundava o coração era forte demais para que pudesse contê-lo. Ardia de desejo de dizer uma palavra, uma única palavra, à guisa de triunfo, e também para tomar duplamente evidente a minha inocência.&lt;br /&gt;- Senhores - disse, por fim, quando os policiais já subiam a escada - , é para mim motivo de grande satisfação haver desfeito qualquer suspeita. Desejo a todos os senhores ótima saúde e um pouco mais de cortesia. Diga-se de passagem, senhores, que esta é uma casa muito bem construída... (Quase não sabia o que dizia, em meu insopitável desejo de falar com naturalidade.) Poderia, mesmo, dizer que é uma casa excelentemente construída. Estas paredes - os senhores já se vão? - , estas paredes são de grande solidez.&lt;br /&gt;Nessa altura, movido por pura e frenética fanfarronada, bati com força, com a bengala que tinha na mão, justamente na parte da parede atrás da qual se achava o corpo da esposa de meu coração.&lt;br /&gt;Que Deus me guarde e livre das garras de Satanás! Mal o eco das batidas mergulhou no silêncio, uma voz me respondeu do fundo da tumba, primeiro com um choro entrecortado e abafado, como os soluços de uma criança; depois, de repente, com um grito prolongado, estridente, contínuo, completamente anormal e inumano. Um uivo, um grito agudo, metade de horror, metade de triunfo, como somente poderia ter surgido do inferno, da garganta dos condenados, em sua agonia, e dos demônios exultantes com a sua condenação.&lt;br /&gt;Quanto aos meus pensamentos, é loucura falar. Sentindo-me desfalecer, cambaleei até à parede oposta. Durante um instante, o grupo de policiais deteve-se na escada, imobilizado pelo terror. Decorrido um momento, doze braços vigorosos atacaram a parede, que caiu por terra. O cadáver, já em adiantado estado de decomposição, e coberto de sangue coagulado, apareceu, ereto, aos olhos dos presentes.&lt;br /&gt;Sobre sua cabeça, com a boca vermelha dilatada e o único olho chamejante, achava-se pousado o animal odioso, cuja astúcia me levou ao assassínio e cuja voz reveladora me entregava ao carrasco.&lt;br /&gt;Eu havia emparedado o monstro dentro da tumba!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-4168848188025647663?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/4168848188025647663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/o-gato-preto-edgar-allan-poe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/4168848188025647663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/4168848188025647663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2011/02/o-gato-preto-edgar-allan-poe.html' title='O Gato Preto ▬ Edgar Allan Poe'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-8174813358548773578</id><published>2010-09-29T23:01:00.000-07:00</published><updated>2010-10-10T19:06:14.268-07:00</updated><title type='text'>Provérbios ▬ Oscar Wilde</title><content type='html'>"A melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A única coisa necessária é o supérfluo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Perguntas nunca são indiscretas. Já algumas respostas são."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Experiência é o nome que cada indivíduo dá aos seus próprios erros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando alguém está apaixonado, começa por enganar-se a si mesmo e acaba por enganar os outros. É o que o mundo chama romance."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A ambição é o último recurso do fracassado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Perdoa a teus inimigos: Nada os chateia tanto!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nunca confie numa mulher que diz sua verdadeira idade. Se ela diz isso, é capaz de dizer qualquer coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os solteiros ricos deveriam pagar o dobro de impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes do que os outros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Existem apenas duas tragédias no mundo. Uma é não conseguir o que se quer; a outra é conseguir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Melhor ser belo do que ser bom. Mas é melhor ser bom do que ser feio!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um poeta pode sobreviver a tudo, menos a um erro de impressão."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-8174813358548773578?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/8174813358548773578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2010/09/proverbios-oscar-wilde.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8174813358548773578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8174813358548773578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2010/09/proverbios-oscar-wilde.html' title='Provérbios ▬ Oscar Wilde'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-5304541582264691777</id><published>2010-09-29T22:53:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T22:55:08.027-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/TKQmBED4TTI/AAAAAAAAAkM/ONo5nO_OQJk/s1600/untitledrene.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522580842774809906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/TKQmBED4TTI/AAAAAAAAAkM/ONo5nO_OQJk/s320/untitledrene.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Os Amantes ▬ René Magritte&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-5304541582264691777?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/5304541582264691777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2010/09/os-amantes-rene-magritte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/5304541582264691777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.&lt;br /&gt;Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.&lt;br /&gt;Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.&lt;br /&gt;Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.&lt;br /&gt;Já tive crises de riso quando não podia.Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.&lt;br /&gt;Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.&lt;br /&gt;Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.&lt;br /&gt;Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.&lt;br /&gt;Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.&lt;br /&gt;Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.&lt;br /&gt;Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.&lt;br /&gt;Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...&lt;br /&gt;Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".&lt;br /&gt;Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.&lt;br /&gt;Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.&lt;br /&gt;Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.&lt;br /&gt;Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.&lt;br /&gt;Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.&lt;br /&gt;Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...&lt;br /&gt;Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.&lt;br /&gt;Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.&lt;br /&gt;Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!&lt;br /&gt;Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!&lt;br /&gt;Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.&lt;br /&gt;Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!&lt;br /&gt;Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.&lt;br /&gt;Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.&lt;br /&gt;Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:&lt;br /&gt;- E daí? EU ADORO VOAR!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-264066220549590977?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/264066220549590977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/11/clarice-lispector.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/264066220549590977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/264066220549590977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/11/clarice-lispector.html' title='Clarice Lispector'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-2321496522091783466</id><published>2009-11-13T12:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-13T12:23:01.034-08:00</updated><title type='text'>A Colhida e a Morte ▬ Federico Garcia Lorca</title><content type='html'>Às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Eram as cinco em ponto da tarde.&lt;br /&gt;Um menino trouxe o lençol branco&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Uma ceira de cal já preparada&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Tudo o mais era morte, apenas morte&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento levou os algodões&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;E o óxido semeou cristal e níquel&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Já lutam a pomba e o leopardo&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;E uma coxa com um chifre desolado&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Começaram os acordes de bordão&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Os sinos de arsénico e o fumo&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Pelas esquinas grupos de silêncio&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;E o touro sozinho coração acima!&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Quando o suor de neve foi chegando&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde,&lt;br /&gt;quando a praça se cobriu de iodo&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde,&lt;br /&gt;a morte pôs ovos na ferida&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Às cinco horas em ponto da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ataúde com rodas é a cama&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Ossos e flautas soam em seus ouvidos&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;O touro já mugia por sua fronte&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Irisava-se o quarto de agonia&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;A gangrena já vem lá ao longe&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Trompa de lírio pelas verdes virilhas&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;As feridas queimavam como sóis&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde,&lt;br /&gt;e a multidão quebrava as janelas&lt;br /&gt;às cinco horas da tarde.&lt;br /&gt;Ai que terríveis cinco da tarde!&lt;br /&gt;Eram as cinco em todos os relógios!&lt;br /&gt;Eram as cinco em sombra da tarde!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-2321496522091783466?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/2321496522091783466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/11/colhida-e-morte-federico-garcia-lorca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/2321496522091783466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/2321496522091783466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/11/colhida-e-morte-federico-garcia-lorca.html' title='A Colhida e a Morte ▬ Federico Garcia Lorca'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-569732526840972250</id><published>2009-07-13T01:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T01:28:40.141-07:00</updated><title type='text'>Elegia ▬ John Donne (trad. Augusto de Campos &amp; Péricles Cavalcanti)</title><content type='html'>Deixa que minha mão errante adentre&lt;br /&gt;Em cima, em baixo, entre&lt;br /&gt;Minha América, minha terra à vista&lt;br /&gt;Reino de paz se um homem só a conquista&lt;br /&gt;Minha mina preciosa, meu império&lt;br /&gt;Feliz de quem penetre o teu mistério&lt;br /&gt;Liberto-me ficando teu escravo&lt;br /&gt;Onde cai minha mão, meu selo gravo&lt;br /&gt;Nudez total: todo prazer provém do corpo&lt;br /&gt;(Como a alma sem corpo) sem vestes&lt;br /&gt;Como encadernação vistosa&lt;br /&gt;Feita para iletrados, a mulher se enfeita&lt;br /&gt;Mas ela é um livro místico e somente&lt;br /&gt;A alguns a que tal graça se consente&lt;br /&gt;É dado lê-la&lt;br /&gt;Eu sou um, quem sabe…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-569732526840972250?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/569732526840972250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/07/elegia-john-donne-trad-augusto-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/569732526840972250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/569732526840972250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/07/elegia-john-donne-trad-augusto-de.html' title='Elegia ▬ John Donne (trad. Augusto de Campos &amp; Péricles Cavalcanti)'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-5086833293123370052</id><published>2009-04-25T19:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T19:49:04.745-07:00</updated><title type='text'>Hallelujah ▬ Leonard Cohen</title><content type='html'>Eu soube que havia um acorde secreto&lt;br /&gt;Que David tocava, e que agradava o Senhor&lt;br /&gt;Mas você não liga muito para música, não é?&lt;br /&gt;E assim vai a quarta, a quinta,&lt;br /&gt;O acorde menor cai, e o acorde maior sobe,&lt;br /&gt;O rei frustrado compõe Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua fé era forte, mas você precisava de provas&lt;br /&gt;Você a viu tomando banho do telhado&lt;br /&gt;A beleza dela e o luar arruinaram você&lt;br /&gt;Ela amarrou você à sua cadeira da cozinha&lt;br /&gt;Ela destruiu seu trono, e cortou seu cabelo&lt;br /&gt;E dos seus lábios ela tirou um Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida, eu já estive aqui antes&lt;br /&gt;Eu vi este quarto, eu andei neste chão&lt;br /&gt;Eu vivia sozinho antes de conhecer você&lt;br /&gt;E eu vi sua bandeira no arco de mármore&lt;br /&gt;E o amor não é uma marcha da vitória&lt;br /&gt;É um frio e sofrido Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que você me dizia&lt;br /&gt;Tudo o que realmente acontecia&lt;br /&gt;Mas agora você nunca me mostra, não é?&lt;br /&gt;Mas você se lembra quando eu entrei em você&lt;br /&gt;E a pomba sagrada também entrou&lt;br /&gt;E todo o suspiro que dávamos era um Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez haja um Deus lá em cima&lt;br /&gt;Mas tudo que eu já aprendi sobre o amor&lt;br /&gt;Era como atirar em alguém que desarmou você&lt;br /&gt;E não é um choro que você pode ouvir de noite&lt;br /&gt;Não é alguém que viu a luz&lt;br /&gt;É um frio e sofrido Aleluia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;br /&gt;Aleluia, Aleluia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-5086833293123370052?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/5086833293123370052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/hallelujah-leonard-cohen.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/5086833293123370052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/5086833293123370052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/hallelujah-leonard-cohen.html' title='Hallelujah ▬ Leonard Cohen'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-6508252485402043237</id><published>2009-04-25T19:15:00.001-07:00</published><updated>2009-04-25T19:26:34.145-07:00</updated><title type='text'>"Se" ▬ Professor Hermógenes</title><content type='html'>Se, ao final desta existência,&lt;br /&gt;Alguma ansiedade me restar&lt;br /&gt;E conseguir me perturbar;&lt;br /&gt;Se eu me debater aflito&lt;br /&gt;No conflito, na discórdia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ainda ocultar verdades&lt;br /&gt;Para ocultar-me,&lt;br /&gt;Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se restar abatimento e revolta&lt;br /&gt;Pelo que não consegui&lt;br /&gt;Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu retiver um pouco mais&lt;br /&gt;Do pouco que é necessário&lt;br /&gt;E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...&lt;br /&gt;Se algum ressentimento,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum ferimento&lt;br /&gt;Impedir-me do imenso alívio&lt;br /&gt;Que é o irrestritamente perdoar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mais ainda,&lt;br /&gt;Se ainda não souber sinceramente orar&lt;br /&gt;Por quem me agrediu e injustiçou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se continuar a mediocremente&lt;br /&gt;Denunciar o cisco no olho do outro&lt;br /&gt;Sem conseguir vencer a treva e a trave&lt;br /&gt;Em meu próprio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se seguir protestando&lt;br /&gt;Reclamando, contestando,&lt;br /&gt;Exigindo que o mundo mude&lt;br /&gt;Sem qualquer esforço para mudar eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, indigente da incondicional alegria interior,&lt;br /&gt;Em queixas, ais e lamúrias,&lt;br /&gt;Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia&lt;br /&gt;Para a minha ainda imperiosa angústia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, ainda incapaz&lt;br /&gt;para a beatitude das almas santas,&lt;br /&gt;precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se insistir ainda que o mundo silencie&lt;br /&gt;Para que possa embeber-me de silêncio,&lt;br /&gt;Sem saber realizá-lo em mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se minha fortaleza e segurança&lt;br /&gt;São ainda construídas com os materiais&lt;br /&gt;Grosseiros e frágeis&lt;br /&gt;Que o mundo empresta,&lt;br /&gt;E eu neles ainda acredito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, imprudente e cegamente,&lt;br /&gt;Continuar desejando&lt;br /&gt;Adquirir,&lt;br /&gt;Multiplicar,&lt;br /&gt;E reter&lt;br /&gt;Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,&lt;br /&gt;Na ânsia de ser feliz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, ainda presa do grande embuste,&lt;br /&gt;Insistir e persistir iludido&lt;br /&gt;Com a importância que me dou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, ao fim de meus dias,&lt;br /&gt;Continuar&lt;br /&gt;Sem escutar, sem entender, sem atender,&lt;br /&gt;Sem realizar o Cristo, que,&lt;br /&gt;Dentro de mim,&lt;br /&gt;Eu Sou,&lt;br /&gt;Terei me perdido na multidão abortada&lt;br /&gt;Dos perdulários dos divinos talentos,&lt;br /&gt;Os talentos que a&lt;br /&gt;Vida&lt;br /&gt;A todos confia,&lt;br /&gt;E serei um fraco a mais,&lt;br /&gt;Um traidor da própria vida,&lt;br /&gt;Da Vida que investe em mim,&lt;br /&gt;Que de mim espera&lt;br /&gt;E que se vê frustrada&lt;br /&gt;Diante de meu fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tudo isto acontecer&lt;br /&gt;Terei parasitado a Vida&lt;br /&gt;E inutilmente ocupado&lt;br /&gt;O tempo&lt;br /&gt;E o espaço&lt;br /&gt;De Deus.&lt;br /&gt;Terei meramente sido vencido&lt;br /&gt;Pelo fim,&lt;br /&gt;Sem ter atingido a&lt;br /&gt;Meta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-6508252485402043237?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/6508252485402043237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/se-professor-hermogenes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6508252485402043237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6508252485402043237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/se-professor-hermogenes.html' title='&quot;Se&quot; ▬ Professor Hermógenes'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-8997175550720274527</id><published>2009-04-25T18:59:00.001-07:00</published><updated>2009-04-25T19:09:43.918-07:00</updated><title type='text'>Sujeição ao Renascimento ▬ Brihadaranyaka Upanishad</title><content type='html'>"Conforme for o desejo do homem,assim será o seu destino. Porque assim como for o seu desejo,assim será a sua vontade; e conforme for a sua vontade,assim serão os seus atos; assim como forem os seus atos,assim será ele recompensado,bem ou mal.&lt;br /&gt;   Um homem age de acordo com os desejos aos quais se apega. Após a morte,ele parte para o outro mundo,levando em sua mente as sutis impressões de seus atos; e,após obter lá o fruto de seus atos,retorna de novo a este mundo de ação. Assim sendo,aquele que tem desejos continua sujeito aos renascimentos."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-8997175550720274527?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/8997175550720274527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/sujeicao-ao-renascimento-brihadaranyaka.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8997175550720274527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8997175550720274527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/sujeicao-ao-renascimento-brihadaranyaka.html' title='Sujeição ao Renascimento ▬ Brihadaranyaka Upanishad'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-6356938020785138239</id><published>2009-04-25T17:35:00.000-07:00</published><updated>2011-02-17T19:28:12.630-08:00</updated><title type='text'>Carl Gustav Jung</title><content type='html'>"A aceitação de si mesmo é a essência do problema moral e a síntese de toda uma perspectiva de vida. Que eu alimente o faminto,que eu perdõe um insulto,que eu ame meu inimigo em nome de Cristo,todas estas são,sem sombra de dúvida,grandes virtudes.&lt;br /&gt;O que eu faço ao menor dos meus irmãos,eu faço ao Cristo.&lt;br /&gt;Mas o que acontecerá se eu descobrir que o menor de todos,o mais pobre dos mendigos,o mais impudente dos ofensores,o próprio inimigo estão dentro de mim e que eu mesmo necessito das esmolas de minha própria bondade,isto é,que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado. Que farei?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-6356938020785138239?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/6356938020785138239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/carl-gustav-jung.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6356938020785138239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6356938020785138239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/04/carl-gustav-jung.html' title='Carl Gustav Jung'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-8076296360349613965</id><published>2009-03-21T22:19:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T00:54:34.863-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXK1zHQ3yI/AAAAAAAAAhE/6FFWqpsXjQ0/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315877960783290146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 276px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXK1zHQ3yI/AAAAAAAAAhE/6FFWqpsXjQ0/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Pensamento da Noiva ▬ Paul Delvaux&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-8076296360349613965?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/8076296360349613965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/o-pensamento-da-noiva-paul-devaux.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8076296360349613965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8076296360349613965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/o-pensamento-da-noiva-paul-devaux.html' title=''/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXK1zHQ3yI/AAAAAAAAAhE/6FFWqpsXjQ0/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-2465192166910023481</id><published>2009-03-06T22:00:00.001-08:00</published><updated>2009-03-06T22:08:25.595-08:00</updated><title type='text'>Carta ao Papa ▬ Antonin Artaud</title><content type='html'>O confessionário não é você, oh Papa, somos nós; entenda-nos e que&lt;br /&gt;os católicos nos entendam.&lt;br /&gt;Em nome da Pátria, em nome da Família, você promove a venda das&lt;br /&gt;almas, a livre trituração dos corpos.&lt;br /&gt;Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para&lt;br /&gt;percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os&lt;br /&gt;teus sacerdotes vacilantes e esse amontoado de doutrinas afoitas&lt;br /&gt;das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.&lt;br /&gt;Teu Deus católico e cristão que, como todos os demais deuses,&lt;br /&gt;concebeu todo o mal:&lt;br /&gt;1º. Você o enfiou no bolso.&lt;br /&gt;2º. Nada temos a fazer com teus cânones, índex, pecado,&lt;br /&gt;confessionário, padralhada, nós pensamos em outra guerra, guerra&lt;br /&gt;contra você, Papa, cachorro.&lt;br /&gt;Aqui o espírito se confessa para o espírito.&lt;br /&gt;De ponta a ponta do teu carnaval romano, o que triunfa é o ódio&lt;br /&gt;sobre as verdades imediatas da alma, sobre estas chamas que&lt;br /&gt;chegam a consumir o espírito. Não existem Deus, Bíblia. Evangelho;&lt;br /&gt;não existem palavras que possam deter o espírito.&lt;br /&gt;Nós não estamos no mundo, oh Papa confinado no mundo; nem a&lt;br /&gt;terra nem Deus falam de você.&lt;br /&gt;O mundo é o abismo da alma. Papa caquético. Papa alheio à alma,&lt;br /&gt;deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas em nossas almas,&lt;br /&gt;não precisamos do teu facão de claridades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-2465192166910023481?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/2465192166910023481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/carta-ao-papa-antonin-artaud.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/2465192166910023481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/2465192166910023481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/carta-ao-papa-antonin-artaud.html' title='Carta ao Papa ▬ Antonin Artaud'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-638353067652708664</id><published>2009-03-06T21:39:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T21:56:20.637-08:00</updated><title type='text'>Ser ou Não Ser ▬ William Shakespeare</title><content type='html'>Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre&lt;br /&gt;Em nosso espírito sofrer pedras e setas&lt;br /&gt;Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,&lt;br /&gt;Ou insurgir-nos contra um mar de provocações&lt;br /&gt;E em luta pôr-lhes fim?&lt;br /&gt;Morrer.. dormir: não mais.&lt;br /&gt;Dizer que rematamos com um sono a angústia&lt;br /&gt;E as mil pelejas naturais-herança do homem:&lt;br /&gt;Morrer para dormir... é uma consumação&lt;br /&gt;Que bem merece e desejamos com fervor.&lt;br /&gt;Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:&lt;br /&gt;Pois quando livres do tumulto da existência,&lt;br /&gt;No repouso da morte o sonho que tenhamos&lt;br /&gt;Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita&lt;br /&gt;Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.&lt;br /&gt;Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,&lt;br /&gt;O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,&lt;br /&gt;Toda a lancinação do mal-prezado amor,&lt;br /&gt;A insolência oficial, as dilações da lei,&lt;br /&gt;Os doestos que dos nulos têm de suportar&lt;br /&gt;O mérito paciente, quem o sofreria,&lt;br /&gt;Quando alcançasse a mais perfeita quitação&lt;br /&gt;Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,&lt;br /&gt;Gemendo e suando sob a vida fatigante,&lt;br /&gt;Se o receio de alguma coisa após a morte,–&lt;br /&gt;Essa região desconhecida cujas raias&lt;br /&gt;Jamais viajante algum atravessou de volta –&lt;br /&gt;Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?&lt;br /&gt;O pensamento assim nos acovarda, e assim&lt;br /&gt;É que se cobre a tez normal da decisão&lt;br /&gt;Com o tom pálido e enfermo da melancolia;&lt;br /&gt;E desde que nos prendam tais cogitações,&lt;br /&gt;Empresas de alto escopo e que bem alto planam&lt;br /&gt;Desviam-se de rumo e cessam até mesmo&lt;br /&gt;De se chamar ação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-638353067652708664?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/638353067652708664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/dialogo-ser-ou-nao-ser-william.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/638353067652708664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/638353067652708664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/dialogo-ser-ou-nao-ser-william.html' title='Ser ou Não Ser ▬ William Shakespeare'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-6003686966141078583</id><published>2009-03-06T21:12:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T21:15:35.824-08:00</updated><title type='text'>É Presico Estar Sempre Embriagado ▬ Charles Baudelaire</title><content type='html'>É preciso estar sempre embriagado.&lt;br /&gt;Eis aí tudo: é a única questão.&lt;br /&gt;Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.Mas de quê?&lt;br /&gt;De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira.&lt;br /&gt;Mas embriagai-vos.&lt;br /&gt;E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos!&lt;br /&gt;Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira'.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-6003686966141078583?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/6003686966141078583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/e-presico-estar-sempre-embriagado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6003686966141078583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6003686966141078583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/e-presico-estar-sempre-embriagado.html' title='É Presico Estar Sempre Embriagado ▬ Charles Baudelaire'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-6582573826599241467</id><published>2009-03-06T18:12:00.000-08:00</published><updated>2009-03-21T22:24:49.645-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/SbHZBfDGcFI/AAAAAAAAAbw/LUww45SlVnM/s1600-h/untitledb.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310264055184126034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 251px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/SbHZBfDGcFI/AAAAAAAAAbw/LUww45SlVnM/s320/untitledb.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O Grito ▬ Edvard Munch&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-6582573826599241467?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/6582573826599241467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/blog-post_06.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6582573826599241467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6582573826599241467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/blog-post_06.html' title=''/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/SbHZBfDGcFI/AAAAAAAAAbw/LUww45SlVnM/s72-c/untitledb.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-1495319136037208192</id><published>2009-03-04T12:42:00.001-08:00</published><updated>2009-03-21T22:35:27.553-07:00</updated><title type='text'>O Jardim Separado ▬ Jim Morrison</title><content type='html'>Estou farto de dúvidas&lt;br /&gt;De viver à luz de um certo sul&lt;br /&gt;Laços cruéis&lt;br /&gt;Os servos têm o poder&lt;br /&gt;Homens ignóbeis e as suas mulheres vulgares&lt;br /&gt;Puxam cobertores vulgares sob&lt;br /&gt;Os nossos marinheiros(e tu onde estás nesta hora escura,&lt;br /&gt;A aparar a barba ou a beber uma margarita?)&lt;br /&gt;Estou farto das caras soturnas&lt;br /&gt;Que me olham das torres televisivas&lt;br /&gt;Quero rosas nos canteiros do meu jardim, compreendido?&lt;br /&gt;Bebés reais e rubis&lt;br /&gt;Devem agora tomar o posto&lt;br /&gt;Dos estranhos abortos na lama&lt;br /&gt;Estes mutantes, pasto de sangue&lt;br /&gt;Para a planta semeada&lt;br /&gt;Estão à espere de nos arrastar até ao jardim separado&lt;br /&gt;Sabes o quão pálida e excitantemente indesejada vem a morte numa hora estranha,&lt;br /&gt;sem anunciar, imprevista&lt;br /&gt;Como um hóspede inimigo que levamos para a cama&lt;br /&gt;A morte faz anjos de todos nós e dá-nos asas&lt;br /&gt;Onde tínhamos ombros macios como as garras dos corvos&lt;br /&gt;Chega de dinheiro, chega de luxos&lt;br /&gt;Este outro reino é de longe melhor&lt;br /&gt;Até que a sua outra face mostre incesto&lt;br /&gt;E a cega obediência e uma lei vegetal&lt;br /&gt;Não irei aí&lt;br /&gt;Prefiro uma festa de amigos&lt;br /&gt;À grande família&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-1495319136037208192?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/1495319136037208192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/jim-morrison.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/1495319136037208192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/1495319136037208192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/jim-morrison.html' title='O Jardim Separado ▬ Jim Morrison'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-992575011090326459</id><published>2009-03-03T16:02:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T16:06:58.534-08:00</updated><title type='text'>Todas as cartas de amor ▬ Fernando Pessoa</title><content type='html'>Todas as cartas de amor são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;Não seriam cartas de amor se não fossem&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também escrevi em meu tempo cartas de amor,&lt;br /&gt;Como as outras,&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cartas de amor, se há amor,&lt;br /&gt;Têm de ser&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal,&lt;br /&gt;Só as criaturas que nunca escreveram&lt;br /&gt;Cartas de amor&lt;br /&gt;É que são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera no tempo em que escrevia&lt;br /&gt;Sem dar por isso&lt;br /&gt;Cartas de amor&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que hoje&lt;br /&gt;As minhas memórias&lt;br /&gt;Dessas cartas de amor&lt;br /&gt;É que são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Todas as palavras esdrúxulas,&lt;br /&gt;Como os sentimentos esdrúxulos,&lt;br /&gt;São naturalmente&lt;br /&gt;Ridículas.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-992575011090326459?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/992575011090326459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/todas-as-cartas-de-amor-fernando-pessoa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/992575011090326459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/992575011090326459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/todas-as-cartas-de-amor-fernando-pessoa.html' title='Todas as cartas de amor ▬ Fernando Pessoa'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-1424991767893205093</id><published>2009-03-03T15:37:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T15:41:41.851-08:00</updated><title type='text'>O Casamento do Céu e do Inferno ▬ William Blake</title><content type='html'>Do livro "O Casamento do Céu e o Inferno" optei por reescrever apenas esse trecho que julgo ser o mais interessante e exprimi simplóricamente toda a verdade da vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sem contrários não há evolução. Atração e Repulsão, Razão e Energia, Amor e Ódio são necessários à existência Humana.Destes contrários nasce aquilo que o religioso denomina Bem &amp;amp; Mal. O Bem é o passivo que obedece a Razão. O Mal é o ativo que surge da Energia.Bem é Céu. Mal é Inferno."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-1424991767893205093?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/1424991767893205093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/o-casamento-do-ceu-e-do-inferno-william.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/1424991767893205093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/1424991767893205093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/o-casamento-do-ceu-e-do-inferno-william.html' title='O Casamento do Céu e do Inferno ▬ William Blake'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-8607091970255297306</id><published>2009-03-03T15:04:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T15:18:53.707-08:00</updated><title type='text'>Provérbios do Inferno ▬ William Blake</title><content type='html'>No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Prudência é uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem deseja, mas não age, gera a pestilência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verme partido perdoa ao arado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulha no rio quem gosta de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tolo não vê a mesma árvore que o sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele, cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abelha atarefada não tem tempo para tristezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torna do número, do peso e da medida em ano de escassez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum pássaro se eleva muito, se se eleva com as próprias asas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cadáver não vinga as injúrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato mais sublime é colocar outro diante de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando Sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loucura é o manto da velhacaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O manto do orgulho é a vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Prisões se constróem com as pedras da Lei, os Bordéis, com os tijolos da Religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O orgulho do pavão é a glória de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luxúria do bode é a glória de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fúria do leão é a sabedoria de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nudez da mulher é a obra de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rugir de leões, o uivar dos lobos, o furor do mar tempestuoso e da espada destruidora são fragmentos de eternidade grandes demais para os olhos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raposa condena a armadilha, não a si própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os júbilos fecundam. As tristezas geram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o homem use a pele do leão; a mulher a lã da ovelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorridente tolo egoísta e o melancólico tolo carrancudo serão ambos julgados sábios para que sejam flagelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que hoje se prova, outrora era apenas imaginado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ratazana, o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes; o leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cisterna contém; a fonte derrama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um só pensamento preenche a imensidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizei sempre o que pensas, e o homem torpe te evitará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que se pode acreditar já é uma imagem da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A águia nunca perdeu tanto o seu tempo como quando resolveu aprender com a gralha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raposa provê para si, mas Deus provê para o leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, pensa; ao meio-dia, age; no entardecer, come; de noite, dorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem permitiu que dele te aproveitasses, esse te conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o arado vai atrás de palavras, assim Deus recompensa orações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da água estagnada espera veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se sabe o que é suficiente até que se saiba o que é mais que suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve a reprovação do tolo! É um elogio soberano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos, de fogo; as narinas, de ar; a boca, de água; a barba, de terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fraco na coragem é forte na esperteza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão, ao cavalo, como apanhar sua presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao receber, o solo grato produz abundante colheita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os outros não fossem tolos, nós teríamos que ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essência do doce prazer jamais pode ser maculada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao veres uma Águia, vês uma parcela da Genialidade. Levanta a cabeça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar uma florzinha é o labor de séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maldição aperta. A benção afrouxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor vinho é o mais velho; a melhor água, a mais nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orações não aram! Louvores não colhem! Júbilos não riem! Tristezas não choram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça, o Sublime; o coração, o Sentimento; os genitais, a Beleza; as mãos e os pés, a Proporção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o ar para o pássaro ou o mar para o peixe, assim é o desprezo para o desprezível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gralha gostaria que tudo fosse preto; a coruja, que tudo fosse branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Exuberância é a Beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o leão fosse aconselhado pela raposa, seria ardiloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Progresso constrói estradas retas; mas as estradas tortuosas, sem o Progresso, são estradas da Genialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor matar uma criança no berço do que acalentar desejos insatisfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde o homem não está a natureza é estéril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade nunca pode ser dita de modo a ser compreendida sem ser acreditada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É suficiente! ou Basta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-8607091970255297306?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/8607091970255297306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/proverbios-do-inferno-william-blake.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8607091970255297306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/8607091970255297306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/proverbios-do-inferno-william-blake.html' title='Provérbios do Inferno ▬ William Blake'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-7599905116878103477</id><published>2009-03-03T15:00:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T15:01:10.800-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/Sa22iog1h5I/AAAAAAAAAbo/S0Jf1k3SFt4/s1600-h/460px-William_Blake_sata_amor_adao_eva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309100241846634386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/Sa22iog1h5I/AAAAAAAAAbo/S0Jf1k3SFt4/s320/460px-William_Blake_sata_amor_adao_eva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Satã observando o amor de Adão e Eva ▬ William Blake&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-7599905116878103477?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/7599905116878103477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/sata-observando-o-amor-de-adao-e-eva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7599905116878103477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7599905116878103477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/sata-observando-o-amor-de-adao-e-eva.html' title=''/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/Sa22iog1h5I/AAAAAAAAAbo/S0Jf1k3SFt4/s72-c/460px-William_Blake_sata_amor_adao_eva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-7010126597225451852</id><published>2009-03-03T14:34:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T14:37:42.512-08:00</updated><title type='text'>Decálogo ▬ Bertrand Russell</title><content type='html'>Russell propôs um "código de conduta" liberal baseado em dez princípios, à maneira do decálogo cristão. "Não para substituir o antigo", diz Russell, "mas para complementá-lo". Os dez princípios são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Não tenhas certeza absoluta de nada.&lt;br /&gt;2. Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.&lt;br /&gt;3. Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.&lt;br /&gt;4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.&lt;br /&gt;5. Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.&lt;br /&gt;6. Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.&lt;br /&gt;7. Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.&lt;br /&gt;8. Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.&lt;br /&gt;9. Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.&lt;br /&gt;10. Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-7010126597225451852?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/7010126597225451852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/decalogo-bertrand-russell.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7010126597225451852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/7010126597225451852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/decalogo-bertrand-russell.html' title='Decálogo ▬ Bertrand Russell'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4762759951203337367.post-6379235938971993432</id><published>2009-03-02T13:51:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T13:59:03.129-08:00</updated><title type='text'>Dispersão ▬ Mario de Sá-Carneiro</title><content type='html'>Perdi-me dentro de mim&lt;br /&gt;Porque eu era labirinto,&lt;br /&gt;E hoje, quando me sinto,&lt;br /&gt;É com saudades de mim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei pela minha vida&lt;br /&gt;Um astro doido a sonhar.&lt;br /&gt;Na ânsia de ultrapassar,&lt;br /&gt;Nem dei pela minha vida...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim é sempre ontem,&lt;br /&gt;Não tenho amanhã nem hoje:&lt;br /&gt;O tempo que aos outros foge&lt;br /&gt;Cai sobre mim feito ontem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O Domingo de Paris&lt;br /&gt;Lembra-me o desaparecido&lt;br /&gt;Que sentia comovido&lt;br /&gt;Os Domingos de Paris:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque um domingo é família,&lt;br /&gt;É bem-estar, é singeleza,&lt;br /&gt;E os que olham a beleza&lt;br /&gt;Não têm bem-estar nem família). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pobre moço das ânsias...&lt;br /&gt;Tu, sim, tu eras alguém!&lt;br /&gt;E foi por isso também&lt;br /&gt;Que te abismaste nas ânsias.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande ave dourada&lt;br /&gt;Bateu asas para os céus,&lt;br /&gt;Mas fechou-as saciada&lt;br /&gt;Ao ver que ganhava os céus.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se chora um amante,&lt;br /&gt;Assim me choro a mim mesmo:&lt;br /&gt;Eu fui amante inconstante&lt;br /&gt;Que se traiu a si mesmo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sinto o espaço que encerro&lt;br /&gt;Nem as linhas que projeto:&lt;br /&gt;Se me olho a um espelho, erro -&lt;br /&gt;Não me acho no que projeto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso dentro de mim&lt;br /&gt;Mas nada me fala, nada!&lt;br /&gt;Tenho a alma amortalhada,&lt;br /&gt;Sequinha, dentro de mim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perdi a minha alma,&lt;br /&gt;Fiquei com ela, perdida. &lt;br /&gt;Assim eu choro, da vida,&lt;br /&gt;A morte da minha alma.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudosamente recordo&lt;br /&gt;Uma gentil companheira&lt;br /&gt;Que na minha vida inteira&lt;br /&gt;Eu nunca vi... Mas recordo  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua boca doirada&lt;br /&gt;E o seu corpo esmaecido,&lt;br /&gt;Em um hálito perdido&lt;br /&gt;Que vem na tarde doirada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(As minhas grandes saudades&lt;br /&gt;São do que nunca enlacei. &lt;br /&gt;Ai, como eu tenho saudades&lt;br /&gt;Dos sonhos que não sonhei!...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sinto que a minha morte —&lt;br /&gt;Minha dispersão total —&lt;br /&gt;Existe lá longe, ao norte,&lt;br /&gt;Numa grande capital.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo o meu último dia&lt;br /&gt;Pintado em rolos de fumo,&lt;br /&gt;E todo azul-de-agonia&lt;br /&gt;Em sombra e além me sumo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ternura feita saudade,&lt;br /&gt;Eu beijo as minhas mãos brancas...&lt;br /&gt;Sou amor e piedade&lt;br /&gt;Em face dessas mãos brancas...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristes mãos longas e lindas&lt;br /&gt;Que eram feitas Pra se dar&lt;br /&gt;Ninguém mas quis apertar&lt;br /&gt;Tristes mãos longas e lindas  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho pena de mim,&lt;br /&gt;Pobre menino ideal...&lt;br /&gt;Que me faltou afinal?&lt;br /&gt;Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu-me na alma o crepúsculo;&lt;br /&gt;Eu fui alguém que passou.&lt;br /&gt;Serei, mas já não me sou;&lt;br /&gt;Não vivo, durmo o crepúsculo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álcool dum sono outonal&lt;br /&gt;Me penetrou vagamente&lt;br /&gt;A difundir-me dormente&lt;br /&gt;Em urna bruma outonal.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi a morte e a vida,&lt;br /&gt;E, louco, não enlouqueço...&lt;br /&gt;A hora foge vivida,&lt;br /&gt;Eu sigo-a, mas permaneço,...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..................................&lt;br /&gt;Castelos desmantelados,&lt;br /&gt;Leões alados sem juba&lt;br /&gt;......................................&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4762759951203337367-6379235938971993432?l=dfurlani.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dfurlani.blogspot.com/feeds/6379235938971993432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/dispersao-mario-de-sa-carneiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6379235938971993432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4762759951203337367/posts/default/6379235938971993432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dfurlani.blogspot.com/2009/03/dispersao-mario-de-sa-carneiro.html' title='Dispersão ▬ Mario de Sá-Carneiro'/><author><name>Dirlei Furlani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06639529610360497675</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_YAe7nvEpeWs/ScXMnv2RmWI/AAAAAAAAAhM/hqmNPWCj0tU/S220/ATgAAACIi532ODu51Kwkapr-ka3PtibP3U_TfR9xJV8NWqmcWf8C_2PD_8l7Ob0k0xDgbGWCk0lwp0j_HwZxPaVNPvYaAJtU9VBpgH1TayD9r2row0CqOSh1qkeLAA.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
