Deixa que minha mão errante adentre
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la
Eu sou um, quem sabe…
segunda-feira, 13 de julho de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Hallelujah ▬ Leonard Cohen
Eu soube que havia um acorde secreto
Que David tocava, e que agradava o Senhor
Mas você não liga muito para música, não é?
E assim vai a quarta, a quinta,
O acorde menor cai, e o acorde maior sobe,
O rei frustrado compõe Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Sua fé era forte, mas você precisava de provas
Você a viu tomando banho do telhado
A beleza dela e o luar arruinaram você
Ela amarrou você à sua cadeira da cozinha
Ela destruiu seu trono, e cortou seu cabelo
E dos seus lábios ela tirou um Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Querida, eu já estive aqui antes
Eu vi este quarto, eu andei neste chão
Eu vivia sozinho antes de conhecer você
E eu vi sua bandeira no arco de mármore
E o amor não é uma marcha da vitória
É um frio e sofrido Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Houve um tempo em que você me dizia
Tudo o que realmente acontecia
Mas agora você nunca me mostra, não é?
Mas você se lembra quando eu entrei em você
E a pomba sagrada também entrou
E todo o suspiro que dávamos era um Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Talvez haja um Deus lá em cima
Mas tudo que eu já aprendi sobre o amor
Era como atirar em alguém que desarmou você
E não é um choro que você pode ouvir de noite
Não é alguém que viu a luz
É um frio e sofrido Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Que David tocava, e que agradava o Senhor
Mas você não liga muito para música, não é?
E assim vai a quarta, a quinta,
O acorde menor cai, e o acorde maior sobe,
O rei frustrado compõe Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Sua fé era forte, mas você precisava de provas
Você a viu tomando banho do telhado
A beleza dela e o luar arruinaram você
Ela amarrou você à sua cadeira da cozinha
Ela destruiu seu trono, e cortou seu cabelo
E dos seus lábios ela tirou um Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Querida, eu já estive aqui antes
Eu vi este quarto, eu andei neste chão
Eu vivia sozinho antes de conhecer você
E eu vi sua bandeira no arco de mármore
E o amor não é uma marcha da vitória
É um frio e sofrido Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Houve um tempo em que você me dizia
Tudo o que realmente acontecia
Mas agora você nunca me mostra, não é?
Mas você se lembra quando eu entrei em você
E a pomba sagrada também entrou
E todo o suspiro que dávamos era um Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Talvez haja um Deus lá em cima
Mas tudo que eu já aprendi sobre o amor
Era como atirar em alguém que desarmou você
E não é um choro que você pode ouvir de noite
Não é alguém que viu a luz
É um frio e sofrido Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
Aleluia, Aleluia
"Se" ▬ Professor Hermógenes
Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...
Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...
Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...
Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a
Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a
Meta
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...
Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...
Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...
Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a
Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a
Meta
Sujeição ao Renascimento ▬ Brihadaranyaka Upanishad
"Conforme for o desejo do homem,assim será o seu destino. Porque assim como for o seu desejo,assim será a sua vontade; e conforme for a sua vontade,assim serão os seus atos; assim como forem os seus atos,assim será ele recompensado,bem ou mal.
Um homem age de acordo com os desejos aos quais se apega. Após a morte,ele parte para o outro mundo,levando em sua mente as sutis impressões de seus atos; e,após obter lá o fruto de seus atos,retorna de novo a este mundo de ação. Assim sendo,aquele que tem desejos continua sujeito aos renascimentos."
Um homem age de acordo com os desejos aos quais se apega. Após a morte,ele parte para o outro mundo,levando em sua mente as sutis impressões de seus atos; e,após obter lá o fruto de seus atos,retorna de novo a este mundo de ação. Assim sendo,aquele que tem desejos continua sujeito aos renascimentos."
Carl Gustav Jung
"A aceitação de si mesmo é a essência do problema moral e a síntese de toda uma perspectiva de vida. Que eu alimente o faminto,que eu perdõe um insulto,que eu ame meu inimigo em nome de Cristo,todas estas são,sem sombra de dúvida,grandes virtudes.
O que eu faço ao menor dos meus irmãos,eu faço ao Cristo.
Mas o que acontecerá se eu descobrir que o menor de todos,o mais pobre dos mendigos,o mais impudente dos ofensores,o próprio inimigo estão dentro de mim e que eu mesmo necessito das esmolas de minha própria bondade,isto é,que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado. Que farei?"
O que eu faço ao menor dos meus irmãos,eu faço ao Cristo.
Mas o que acontecerá se eu descobrir que o menor de todos,o mais pobre dos mendigos,o mais impudente dos ofensores,o próprio inimigo estão dentro de mim e que eu mesmo necessito das esmolas de minha própria bondade,isto é,que eu mesmo sou o inimigo que precisa ser amado. Que farei?"
sábado, 21 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
Carta ao Papa ▬ Antonin Artaud
O confessionário não é você, oh Papa, somos nós; entenda-nos e que
os católicos nos entendam.
Em nome da Pátria, em nome da Família, você promove a venda das
almas, a livre trituração dos corpos.
Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para
percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os
teus sacerdotes vacilantes e esse amontoado de doutrinas afoitas
das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.
Teu Deus católico e cristão que, como todos os demais deuses,
concebeu todo o mal:
1º. Você o enfiou no bolso.
2º. Nada temos a fazer com teus cânones, índex, pecado,
confessionário, padralhada, nós pensamos em outra guerra, guerra
contra você, Papa, cachorro.
Aqui o espírito se confessa para o espírito.
De ponta a ponta do teu carnaval romano, o que triunfa é o ódio
sobre as verdades imediatas da alma, sobre estas chamas que
chegam a consumir o espírito. Não existem Deus, Bíblia. Evangelho;
não existem palavras que possam deter o espírito.
Nós não estamos no mundo, oh Papa confinado no mundo; nem a
terra nem Deus falam de você.
O mundo é o abismo da alma. Papa caquético. Papa alheio à alma,
deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas em nossas almas,
não precisamos do teu facão de claridades.
os católicos nos entendam.
Em nome da Pátria, em nome da Família, você promove a venda das
almas, a livre trituração dos corpos.
Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para
percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os
teus sacerdotes vacilantes e esse amontoado de doutrinas afoitas
das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.
Teu Deus católico e cristão que, como todos os demais deuses,
concebeu todo o mal:
1º. Você o enfiou no bolso.
2º. Nada temos a fazer com teus cânones, índex, pecado,
confessionário, padralhada, nós pensamos em outra guerra, guerra
contra você, Papa, cachorro.
Aqui o espírito se confessa para o espírito.
De ponta a ponta do teu carnaval romano, o que triunfa é o ódio
sobre as verdades imediatas da alma, sobre estas chamas que
chegam a consumir o espírito. Não existem Deus, Bíblia. Evangelho;
não existem palavras que possam deter o espírito.
Nós não estamos no mundo, oh Papa confinado no mundo; nem a
terra nem Deus falam de você.
O mundo é o abismo da alma. Papa caquético. Papa alheio à alma,
deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas em nossas almas,
não precisamos do teu facão de claridades.
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